ABANCATILÊ

Blogue da Rede de Bibliotecas de São Brás de Alportel


Nasceu Józef Teodor Konrad Nalecz Korzeniowski, filho de pais poloneses, na cidade de Berdichev, na Ucrânia dominada pela Rússia czarista. Seus pais eram nacionalistas poloneses e, por causa de suas atividades políticas anti-russos, foram exilados para a remota província de Vologda, ao norte. Joseph, então com quatro anos, os acompanhou. Aos onze anos de idade, ficou órfão de pai e mãe. Seu tio materno Thaddeus Bobrowski tomou conta do sobrinho e foi seu mentor e res­ponsável durante os 25 anos seguintes. Thaddeus queria que Joseph seguisse carreira universitária, mas em 1874, quando o rapaz tinha dezasseis anos, finalmente cedeu e concordou em deixá-lo seguir seu antigo desejo de viver no mar. Joseph viajou a Marselha, onde trabalhou em navios da marinha mercante francesa até juntar-se, em 1878, a um navio britânico, como aprendiz.

Ficaria na marinha por quase vinte anos, vi­si­tando os mais variados lugares da Ásia, da África, da América e da Europa – experiência que seria definidora da literatura do autor, além de fornecer vasto material para suas histórias. Em 1886, obteve a cidadania britânica. Oito anos depois, em 1894, ele abandonou o mar e uma car­reira bem-sucedida (chegara à posição de capitão-de-longo-curso) para se dedicar à literatura. Seu primeiro livro, Almayer’s folly (A loucura de Almayer), cuja redação fora iniciada em 1889, foi publicado em 1895, quando o autor contava já 38 anos (tam­bém dessa época data o casamento de Joseph com Jessie George). O livro foi recebido com entu­sias­mo pela crítica e friamente pelo público. Levaria cerca de quinze anos para que a carreira literária de Conrad decolasse.
Ele escreveu, ao todo, dezassete romances, sendo os principais Lord Jim, de 1900, Nostromo,de 1904, The secret agent (O agente secreto), de 1907, e Under western eyes (Sob os olhos do ocidente), de 1911; sete novelas, entre as quais se destaca The heart of the darkness (O coração das trevas, L&PM POCKET), de 1902. Publicou ainda livros de en­saios (The mirror of the sea ou O espelho do mar, de 1906), de memórias (Some reminicences ou Algumas reminiscências, de 1912, e A personal record ou Um registro pessoal, de 1912) e textos sobre a própria obra (Notes on my books ou Notas sobre meus livros), de 1921. Muitas dessas peças ficcio­nais foram primeiramente publicadas em for­ma­to de folhetim em periódicos como Blackwood’s Edinburgh Magazine, seguindo uma prática comum na época.
Conrad é hoje considerado um dos grandes autores da língua inglesa – que ele aprendeu depois de adulto, apesar de ter com ela tido os primeiros contatos ainda quando criança, ao ver seu pai traduzir Shakespeare, entre outros autores.
Seus textos ficcionais têm em comum o tema do conflito do homem contra o próprio homem, dos limites da natureza humana e do con­fronto do homem frente à natureza selvagem. Seus ro­man­­ces, contos e novelas são povoados por per­­so­­na­­gens em situações extremas, iso­la­dos da so­cie­­dade, muitas vezes em crise com a própria identidade e com a condição de ser hu­ma­no. A maio­ria de suas peças ficcionais se asse­me­lham, na aparência, a histórias de aven­turas, apesar de proporem uma profunda reflexão sobre a natureza humana e a civilização. Conrad de­­clarava serem Shakespeare, Walter Scott e Flaubert alguns de seus autores favoritos.
O coração das trevas foi adaptado para o cinema por Francis Ford Coppola, em Apocalipse now, em 1979, em plena Guerra do Vietnã, com enorme sucesso de público e crítica. Conrad morreu em 1924, deixando seu último romance, Suspense, inacabado. A Coleção L&PM POCKET publicou os seus romances Coração das trevas, Flecha de ouro, Juventude e Tufão)

Dia Mundial da Poesia
O Clube de Leitura reuniu-se na Galeria de Arte - ZEM ARTE - e festejou a Poesia.
A Calçada de Carriche, de António Gedeão iniciou a tertúlia numa leitura encenada por Amélia Viana, Francisca Graça e Maria Hélder .
Poemas de Fernando Pessoa, Clarice Lispector, Sophia de Mello Breyner Andresen, Bertolt Brecht,
Constantin Cavafis, Ary dos Santos, Vinicius de Morais, Eugénio de Andrade, e Erza Pound ecoaram ao longo da noite.
O Zé Areias, a Maria Francisca, a Maria Hélder, a Maria Belchior e o Paulo Penisga surpreenderam-nos com poemas da sua autoria.
Aqui ficam algumas imagens dessa noite, por coincidência, noite de Lua Cheia!

























O Último Cabalista de Lisboa / de Richard Zimler


Opinião de Maria Hélder:

É um extraordinário romance que tem como pano de fundo os eventos verídicos de Abril de 1506.
O que surpreende nesta obra é que embora imparável de acção não é totalmente ficção e desenrola-se em torno da busca da verdade - Quem assassinou Abraão Zarco?
Esta morte não representa apenas a perda de um familiar próximo, mas o fim de uma fonte de sabedoria inestimável - A Cabala - escola filosófica judaica, que na época constituía um importante veículo de instrução (ao longo da leitura apercebemo-nos que a população judaica de Lisboa era mais instruída que a população cristã).
É interessante verificar que muitos dos lugares falados ainda hoje existem, como por exemplo, Alfama onde se situava uma das judiarias de Lisboa e a respectiva sinagoga.
Esta obra retrata a sociedade manuelina e os horrores da perseguição aos judeus.
É, também, uma denúncia dos tempos de opressão que vive o mundo de hoje.
Nesta obra Zimler previu, com acerto, que haveria uma nova guerra no Iraque só para que a popularidade do presidente norte americano aumentasse. Antes da ascensão de Bush, já denunciava que sectores absolutamente fascistas assumiam fatias cada vez maiores do poder e denúncia sinais de xenofobia e intolerância, que são constantes na vida norte americana e crescem todos os dias. Talvez por isto decidiu recriar a sua vida na cidade do Porto (Ver a obra Meia-Noite ou o Princípio do Mundo, na qual estas referências são mais precisas).
Zimler não concorda com as posições neofascistas do governo de Israel, por isso algumas das suas obras são um libelo contra a intolerância e uma chamada à união entre os povos da Europa, Ásia, África e América para a reconstrução de um mundo melhor.
As suas obras, tal como esta, focam quase sempre construção de identidades, a amizade, a traição, o efeito nefasto das instituições impostas a uma pessoa e o significado de uma vida individual. Mas todas abordam a terrível violência entre israelitas e palestinianos e a história desta região.
Esta obra foi best seller em 11 países, incluindo nos EUA, Inglaterra, Itália, Brasil e Portugal.
Na sua nova obra À Procura de Sana, diz que, em circunstâncias semelhantes à da sua personagem, "talvez pudéssemos ser todos terroristas".
*Cabala - Estudo das letras hebraicas que permite o contacto directo e profundo com as verdades do nosso mundo e com Deus.
Ciência ou Sabedoria que produz respostas para questões que para a maioria das pessoas não tem explicação.
Richard Zimler
Nasceu em Nova Iorque, em 1956.
Licenciou-se em Religião Comparada na Universidade de Duke e fez um Mestrado em Comunicação pela Universidade de Stanford.
Trabalhou como jornalista durante 8 anos e, em 1990, mudou-se para o Porto.~
Em 1994 ganhou o Prémio Fellowship
Em 1996 escreveu o seu primeiro romance "O Último Cabalista de Lisboa", faz parte do circulo Sefardita e foi traduzido em mais de 10 idiomas.
Para além de escritor é professor de Comunicação na Universidade do Porto e tradutor de autores de língua portuguesa.
Saiba mais sobre o autor e a sua obra, comentários literários em:
Opinião de Francisca Graça:
Berequias, de nome judaico, ou Pedro Zarco, seu nome de cristão novo, a que foi obrigado por imposição régia de D. Manuel I, faz neste livro o papel de relator de todos os massacres que no ano cristão de 1506 aconteceram aos judeus em Lisboa, durante a semana da Páscoa. As piras com judeus empestaram com o seu cheiro e fumo todo o Rossio, a baixa de uma cidade porca, de bairros miseráveis e repleta de padres, em especial Dominicanos, obstinados e encarniçados a dar morte a tudo o que fosse judeu.
O que o move a regressar e a investigar as causas da morte do seu tio, mentor e o último cabalista de Lisboa só pode ser explicado e passo a citar a personagem: "para se compreender a revelação que me atingira, terei que explicar as palavras hebraicas mesiras nefesh. O seu significado é certamente a disposição para o sacrifício. O poder oculto reside na tradição dos cabalistas de estarem dispostos a arriscar-se, nem que seja a uma visita aos infernos, se com isso puderem ajudar não só a aliviar o sofrimento do mundo como também a proporcionar uma reparação na Esfera Celeste".
Através da narrativa, o autor vai-nos colocando diferentes pistas e conclusões que rapidamente se alteram perante novos dados e apenas perto do final se descobre o assassino. No decurso da narrativa, a filosofia e a prática cabalista são descritas.
Deixo-vos algumas passagens que me fizeram meditar:
-" ...pois o judeu não é nunca uma criatura simples que os cristãos sempre pretenderam fazer-nos acreditar. E um hierático judeu nunca é tão falho de espírito como pretendem os nossos rabinos. Somos antes tão profundos e abertos que nos cabe na alma todo um rio de paradoxos e enigmas."
- "Deus aparece a cada um de nós sob a forma com que nós melhor O podemos apreender. Para ti, nesse momento, era uma garça. Para outro, pode surgir-lhe como uma flor ou mesmo uma brisa."
- " O tempo é como um selo a atestar a existência. E, tal como o selo, é artificial. Como o meu tio costumava dizer, o passado, o presente e o futuro são realmente versos do mesmo poema. O nosso fim é traçar a disposição da sua rima de regresso a Deus."
- "Não posso arriscar a vida dos judeus fiando-me na equidade dos Reis da Europa que já mostraram vezes sem conta que desconhecem o que seja justiça. Pois, ainda que esteja enganado, ainda que esteja a ler da esquerda para a direita, ainda que meu tio estivesse tão cansado da vigília... podereis estar certos de que os Reis cristãos não virão um dia buscar-vos, e a todos os nossos? E que traidores como Diego não os ajudarão?"

"Sou um escritor cem por cento português"


«Publicado em 1925, Mrs. Dalloway é o primeiro dos romances de Virginia Woolf que subverte a narrativa tradicional. O título inicial do livro era As Horas, uma referência ao tempo em que a acção decorre. A I Grande Guerra terminou, o calor do Verão invade Londres e Clarissa, Mrs. Dalloway, prepara-se para dar uma das suas festas. Mas quando a noite se aproxima, a chegada de Peter Walsh, o seu primeiro amor regressado da Índia, vai despertar o passado, trazendo-lhe à memória os sonhos adolescentes e a discussão que muitos anos antes a precipitou num casamento sem fulgor. De súbito, Clarissa tem consciência da força da vida em seu redor, de Peter inalterado e contudo diverso, e da sua filha Elizabeth que se está a tornar uma mulher. Virginia Woolf expõe assim diferentes modos de sentir, evocando, mais que o espírito do tempo, o espírito da própria vida no olhar de cada personagem. Mas a originalidade maior do livro vem dessa espécie de duplo de Mrs. Dalloway, Septimus Warren Smith, enlouquecendo em silêncio com o trauma da guerra e com quem Clarissa parece partilhar uma mesma consciência.»








Cerimónia do 7º Aniversário de atribuição do nome de patrono
da Biblioteca Municipal - Dr. Manuel Francisco do Estanco Louro -



8 de Novembro 2003 - 8 de Novembro de 2010


















Realizou-se o encontro "O Falar do Alportel, segundo Estanco Louro", orientado pela Dra. Alice Fernandes - professora e investigadora da Universidade do Algarve e que há vários anos pesquisa sobre a História da Língua, principalmente os aspectos particulares da linguística no Algarve.

A Biblioteca Municipal - que muito se orgulha em ter como patrono a figura deste investigador humanista - procura desta forma divulgar a sua obra nas suas múltiplas vertentes.
A Dra. Alice Fernandes apresentou as pesquisas de Estanco Louro sobre raízes morfológicas e sintácticas que demonstram a densidade populacional da região de São Brás de Alportel e o seu povoamento por comunidades de língua e cultura latina e arábe. Estanco Louro na sua monografia "O Livro de Alportel",apresenta a sua tese sobre a existência de um Falar de Alportel:




«É a vida ainda muito viçosa no falar alportelense, de muitos vocábulos e características gramaticais do português antigo.
Os povos de Alportel, (…) conservaram, além de muitas coisas boas, como relíquia quase sagrada, uma boa herança linguística dos seus maiores. Vive ali a maior parte da língua morta de quinhentistas e pré-quinhentistas.
Não queremos advogar aqui a adopção literária de uma fala dialectal. Queremos notar apenas que deve desde já acabar a designação geral de arcaísmos para muitas palavras e modos de dizer, que têm ainda, para muita gente, uma vida pujante e que uma fala dialectal é tão pura, tão legítima como o português literário, que não é mais português do que ela e muito menos vernáculo.
Por isso nos insurgimos contra o motejo, desdém, ridículo ou ironia com que os ignorantes pretendem acolher um falar (…) e que não recorre a outras línguas para traduzir, muitas vezes, uma ideia, com a perfeição suprema.»


Mia Couto







Nascido António Emílio Couto é um escritor moçambicano.


Nascimento : a 5 de Julho de 1955 ( 55 anos) Beira, Moçambique


Nacionalidade : Moçambicana


Género Literário : Realismo mágico, Ficção histórica

Influências : Carlos Drummond de Andrade, Guimarães Rosa, Eugénio de Andrade, Sofia de Melo Breyner, João Cabral de Melo Neto, Fernando Pessoa, José Luandino Vieira.


Biografia


Filho de portugueses que emigraram para Moçambique nos meados do século XX. Nasceu e estudou na cidade da Beira. Com catorze anos de idade, teve alguns poemas publicados no jornal Notícias da Beira e três anos depois, em 1971, mudou - se para a cidade capital, Lourenço Marques ( agora Maputo). Iniciou os estudos universitários em Medicina, mas abandonou esta área no principio do terceiro ano, passando a exercer a profissão de jornalista, depois do 25 de Abril de 1974. Trabalhou no jornal Tribuna até á destruição das suas instalações em Setembro de 1975, por colonos que se opunham á independência.

Foi nomeado director da Agência de Informação de Moçambique (AIM) e organizou os correspondentes das provincias moçambicanas. A seguir trabalhou como director da revista Tempo, até 1981, e continuou a carreira no jornal Notícias até 1985. Em 1983 publicou o seu primeiro livro de poesia, Raiz de Orvalho. Dois anos depois, demitiu - se da posição de director para continuar os estudos universitários na área de biologia.

Além de ser considerado um dos escritores mais importantes de Moçambique, é o escritor moçambicano mais traduzido. Em muitas das suas obras, Mia Couto tenta recriar a língua portuguesa com a influência moçambicana, utilizando o léxico de várias regiões do país e produzindo um novo modelo de narrativa africana. Terra Sonâmbula, o seu primeiro romance, publicado em 1992, ganhou o Prémio Nacional de Ficção da Associação dos Escritores Moçambicanos, em 1995 e foi considerado um dos doze melhores livros africanos do século XX por um júri criado pela Feira do Livro de Zimbabué.

Fundou uma empresa de estudos ambientais.

Bibliografia


Muitos dos livros de Mia Couto são publicados em mais de 22 países e traduzidos em alemão, francês, espanhol, catalão, inglês e italiano.

Poesia estreou - se no prelo com um livro de [poesia], Raiz de Orvalho, publicado em 1983. Mas já antes tinha sido antologiado por outro dos grandes poetas moçambicanos, Orlando Mendes ( outro biólogo), em 1980, numa edição do Instituto Nacional do Livro e do Disco, resultante duma palestra na Organização Nacional dos jornalistas ( actual Sindicato), intitulada " Sobre a Literatura Moçambicana".

Em 1999, a Editorial Caminho ( que publica as obras de Couto em Portugal) relançou Raiz de Orvalho e outros poemas que teve sua 3ª edição em 2001.

Contos

Nos meados dos anos 80, Couto estreou - se nos contos e numa nova maneira de falar - ou " falinventar" - português, que continua a ser o seu "ex - libris". Nesta categoria de contos publicou:


. Vozes Anoitecidas


. Cada Homem é uma Raça


. Histórias Abensonhadas


. Contos do Nascer da Terra


. Na Berma de Nenhuma Estrada


. O Fio das Missangas


Crónicas



Para além disso, publicou em livro algumas das suas crónicas, que continuam a ser coluna num dos semanários publicados em Maputo, capital de Moçambique:

. Cronicando

. O País do Queixa Andar

. Pensatempos

. E se Obama fosse Africano?


Romances

E, naturalmente, não deixou de lado o género de romance, tendo publicado:


. Terra Sonâmbula


. A Varanda do Frangipani


. Mar Me Quer


. Vinte e Zinco


. O Último Voo do Flamingo


. O Gato e o Escuro


. Um Rio chamado Tempo, uma Casa chamada Terra


. A Chuva Pasmada


. O Outro Pé da Sereia


. O beijo da palavrinha


. Venenos de Deus, Remédios do Diabo


. Antes de nascer o mundo


Prémios



. 1995 - Prémio Nacional de Ficção da Associação dos Escritores Moçambicanos

. 1999 - Prémio Vergílio Ferreira, pelo conjunto da sua obra

. 2001 - Prémio Mário António, pelo livro O último voo do flamingo

. 2007 - Prémio União Latina de Literaturas Românicas

. 2007 - Prémio Passo Fundo Zaffari e Bourbon de Literatura, na jornada Nacional de Literatura


Eu, Mwanito, o afinador de silêncios
«A primeira vez que vi uma mulher tinha onze anos e me surpreendi subitamente tão desarmado que desabei em lágrimas. Eu vivia num ermo habitado apenas por cinco homens. Meu pai dera um nome ao lugarejo. Simplesmente chamado assim:
« Jesusalém». Aquela era a terra onde Jesus haveria de se descrucificar. E pronto, final.»
Jesusalém é seguramente a mais madura e mais conhecida obra de um escritor no auge das suas capacidades criativas.
Aliando uma narrativa a um tempo complexa e aliciante ao seu estilo poético tão pessoal,
Mia Couto confirma o lugar cimeiro de que goza nas literaturas de língua portuguesa.
A vida é demasiado preciosa para ser esbanjada num mundo desencantado,
diz um dos protagonistas deste romance.
A prosa mágica do escritor moçambicano ajuda, certamente, a reencantar este nosso
mundo.





Um primeiro encontro na Biblioteca Municipal de Olhão, com os Clubes de Leitura de São Brás de Alportel e de Olhão. Um segundo encontro na Biblioteca Municipal de São Brás com os estudantes de Humanidades da Escola Secundária.
A jovem Inês promete vir a ser um "caso muito sério" na ficção portuguesa.
Falou-nos dos 5 títulos que já tem publicados, da experimentação de técnicas narrativas, das suas leituras e expectativas.
Em detalhe foi apresentado o seu último livro "O Passado que seremos". Os jovens estudantes "bombardearam-na" de perguntas.
Brevemente colocarão no blogue as suas opiniões.






Foram 3 horas de agradável e muito instrutiva “conversa”. Lídia Jorge, com a simplicidade característica dos que sabem e reflectem, falou da “história” dos seus livros, pois há 30 anos que publica; do estilo narrativo adoptado em alguns dos seus romances e da construção complexa das personagens; dos desafios que tem sido colocados a diferentes gerações de escritores portugueses; dos constrangimentos do mundo editorial actual; da riqueza da língua portuguesa e do papel da literatura no mundo.





Nascidos para Ler

"Em que dia nos transformámos em leitores para sempre? Cada um de nós lembrará a sua história. Recordará um colo, um abraço, um livro colocado na mão de alguém, uma estante, um professor, uma certa noite, um certo dia. Aquele momento e aquela hora em que se associou uma voz humana com a capacidade de multiplicar imagens infinitas dentro da cabeça, e de permeio estavam folhas escritas. Alguém que de súbito põe a mão na máquina que roda o filme das letras, e o cinema começa a correr por dentro da nossa vida. Alguém que depois nos coloca diante duma estante e nos diz – Aqui tens, tantos seres humanos quanto as lombadas, tantos filmes quantas as páginas. És um homem livre.
Em que dia, então, nos transformámos em leitores para sempre? Em que dia começámos a nascer para ler? Em que mês do ano aconteceu esse acaso da multiplicação dos Espaços dentro das nossas vidas? Ao mesmo tempo Ulisses e os cinco Compson?
Faço estas perguntas e estou a pensar numa ideia nova, talvez a única ideia revolucionária que desde as últimas décadas a Europa foi capaz de criar. Que se conheça, a única que tem como sujeito um homem novo. É a ideia maravilhosa de que todas as crianças do Mundo devem ser concebidas como seres nascidos para ler. O que equivale a dizer que a leitura deve ser elevada à categoria duma segunda natureza da pessoa. E que a sociedade deve promovê-la como um elemento tão importante quanto se lhe reconhece o direito a uma família ou um alimento. A ideia de que esse direito imprescindível deve ser promovido pelos Estados e por todos aqueles que sabem que a leitura amplia a vida, como um dever de contágio formidável. Esta, sim, é uma ideia de Futuro e aponta para um novo paradigma de instrução para a Liberdade, no momento em que se desenham no horizonte rumores de pensamentos únicos e amnésias planificadas. O que os novos planos de leitura, que hoje em dia se implantam um pouco por toda a parte, trazem de novo é isso mesmo - Servem para proporcionar a hipótese de que esses momentos inaugurais de encontro com um livro colocado entre os olhos da criança e o abraço, se multipliquem, uma e outra vez, se prolonguem, mudem de local e de suporte, mudem de figuras e de géneros, mas que estejam sempre lá. À espera do acaso. O que significa que proporcionar esse acaso se transformou num dever. E porque não dizê-lo? - Para muitos países, como o nosso, talvez esta seja uma oportunidade única para nos transformarmos da antiga nação que somos com relutância à leitura, numa sociedade aberta, moderna, civilizada pelos livros. "


Lídia Jorge, 2007
In: http://www.lidiajorge.com/

Dia 18 de Setembro às 17:00 h na Sala Polivalente

da Biblioteca Municipal de São Brás de Alportel

Lídia Jorge - Nota Biográfica

Lídia Jorge nasceu em Boliqueime, Algarve, em 1946. Licenciou-se em Filologia Românica pela Universidade de Lisboa, tendo sido professora do Ensino Secundário. Foi nessa condição que passou alguns anos decisivos em Angola e Moçambique, durante o último período da Guerra Colonial. A publicação do seu primeiro romance, O Dia dos Prodígios (1980) constituiu um acontecimento num período em que se inaugurava uma nova fase da Literatura Portuguesa. Seguiram-se os romances O Cais das Merendas (1982) e Notícia da Cidade Silvestre (1984), ambos distinguidos com o Prémio Literário Cidade de Lisboa. Mas foi com A Costa dos Murmúrios (1988), livro que reflecte a experiência colonial passada em África, que a autora confirmou o seu destacado lugar no panorama das Letras portuguesas. Entre outros romances, conta-se O Vale da Paixão (1998) galardoado com o Prémio Dom Dinis da Fundação da Casa de Mateus, o Prémio Bordallo de Literatura da Casa da Imprensa, o Prémio Máxima de Literatura, o Prémio de Ficção do P.E.N. Clube, e em 2000, o Prémio Jean Monet de Literatura Europeia, Escritor Europeu do Ano. Passados quatro anos, Lídia Jorge publicou O Vento Assobiando nas Gruas (2002), romance que mereceu o Grande Prémio da Associação Portuguesa de Escritores e o Prémio Correntes d’Escritas.A autora publicou ainda duas antologias de contos, Marido e Outros Contos (1997) e O Belo Adormecido (2003), para além das publicações separadas de A Instrumentalina (1992) e O Conto do Nadador (1992). A peça de teatro A Maçon foi levada à cena no Teatro Nacional Dona Maria II, em 1997. O romance A Costa dos Murmúrios foi recentemente adaptado ao Cinema por Margarida Cardoso. Os romances de Lídia Jorge encontram-se traduzidos em diversas línguas. Em 2006, a autora foi distinguida na Alemanha, com a primeira edição do Albatroz, Prémio Internacional de Literatura da Fundação Günter Grass, atribuído pelo conjunto da sua obra. Combateremos a Sombra, apresentado no dia 22 de Março, na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, é o seu mais recente romance, e o Grande Prémio SPA-Millennium a sua mais recente distinção.



In: www.lidiajorge.com



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Últimas entradas

Agenda do Clube de Leitura (2009/10)

Biografia de José Agualusa

"Passageiros em trânsito/José Agualusa

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Sándor Márai

Sándor Márai nasceu em Kassa, uma pequena cidade da Hungria, hoje Eslováquia. O pai era advogado e a mãe professora.
Ficcionista, poeta e dramaturgo é considerado um dos maiores escritores da língua húngara. Autor de mais de sessenta livros. Escreveu seu primeiro romance aos 24 anos. Alcançou grande sucesso na Hungria como romancista, poeta e cronista das subtilezas da memória, escritor e jornalista.
Em 1919, foi viver para Berlim, depois para Frankfurt e também em França num exílio voluntário, durante o regime de Horthy.Começou a trabalhar como jornalista em 1920. Em 1945, é eleito membro da Academia Húngara de Ciências. No ano de 1948 sai de Budapeste, inconformado com as ideias do regime comunista no seu país. Um liberal acima de tudo, Sándor Márai tinha a plena convicção de que jamais poderia experimentar o seu ideal de liberdade numa sociedade dominada pelo comunismo. Márai sempre escreveu em húngaro e produziu a maior parte de suas obras no período entre 1928 e 1948.
Em 1968 depois de passar um tempo em Salermo, Itália, mudou-se para San Diego onde viveu até suicidar-se em 1989, com um tiro na cabeça. O suicídio de Sándor Márai talvez possa ser compreendido se levar-se em conta todos os anos de esquecimento a que foi submetido pelo regime e pela falta de liberdade que tanto criticou a vida toda.
A proibição da sua obra na Hungria fez cair no esquecimento quem nesse momento era considerado um dos escritores mais importantes. Foi preciso esperar até à queda do regime comunista, para que este extraordinário escritor fosse redescoberto no seu país e no mundo inteiro.
Sándor Márai é da estirpe dos escritores cuja obra regista a memória e a reflexão de uma época e de um povo. Para ele, a política e as questões de classe são precedidas por indagações existenciais.
A sua obra literária já foi comparada à de Thomas Mann, um dos maiores escritores alemães do século XX e à de Gyula Krúdy, autor húngaro de obra extensa e muito querido em toda Hungria e Europa. Sándor Márai, falou das armadilhas do amor, da paixão, da vida, da dor, da decadência e da morte. Teve seu olhar sempre voltado para todas as aventuras emocionais do homem e trabalhou a língua com extremo cuidado para expressar correctamente o que desejava revelar ao mundo.
Em 1990, recebe postumamente o Prémio Kossuth.

[Adaptação da informação contida na wikipédia e portalnetliteratura]

O autor apresenta-nos novos contos para viajar. O Homem a quem chamavam Falcão, A armadilha, A gargalhada, Os cães, É doce morrer no mar, O homem sem coração e Não há fim constituem alguns exemplos. São vinte contos breves, com cenários de África e personagens anónimas que desconhecem o seu destino e «viajam» à deriva, sempre à descoberta do mundo. Todas elas são Passageiros em Trânsito.

«O meu pai dizia-me:
- A vida é uma corrida, meu filho. Quem olha para trás enquanto corre arrisca-se a tropeçar.
Eu não olho para trás. Avanço por vezes de olhos fechados, e tropeço, como os outros, e eventualmente caio, mas não olho para trás. Nunca fui pessoa de cultivar saudades. Não colecciono álbuns de fotografias, e jamais guardei pétalas secas entre as páginas de velhos livros. Sigo sempre em frente. Quando me perguntam para onde vou encolho os ombros. Rio-me:
- Adiante» - (Um Ciclista)

Sinopse
Um pequeno castelo de caça na Hungria, onde outrora se celebravam elegantes saraus e cujos salões decorados ao estilo francês se enchiam da música de Chopin, mudou radicalmente de aspecto. O esplendor de então já não existe, tudo anuncia o final de uma época. Dois homens, amigos inseparáveis na juventude, sentam-se a jantar depois de quarenta anos sem se verem. Um, passou muito tempo no Extremo Oriente, o outro, ao contrário, permaneceu na sua propriedade. Mas ambos viveram à espera deste momento, pois entre eles interpõe-se um segredo de uma força singular...

Comentários
“A acção decorre no coração do Império Austro-Húngaro, em plena viragem do século XIX para o século XX, numa altura em que a situação geopolítica da Europa Central atinge o ponto de ebulição que fará deflagrar a I Guerra Mundial.
Este período convulsivo termina com a desagregação do Império e o desaparecimento das convenções e regras que o regiam.
O romance é construído a duas velocidades e o ritmo é marcado por dois narradores.
O narrador não participante apresenta os episódios presentes – já depois da segunda grande guerra – algures na actual Eslováquia – descreve o cenário onde se movimentam as principais personagens, como se assistíssemos a um filme mudo, entrecortado por algumas cenas de diálogo, constituídas por frases lacónicas, contudo carregadas de subentendidos.
O segundo narrador é, também, a personagem principal e o discurso, simultaneamente introspectivo e retrospectivo, está intensamente povoado de detalhes, quer no que se refere aos espaços exteriores e interiores, quer às emoções que o ambiente despoleta não só no seu íntimo mas também nas atitudes das restantes personagens.O principal objectivo deste segundo narrador é descodificar os motivos que levaram a determinados comportamentos, aparentemente inexplicáveis, por parte daqueles que lhes eram mais próximos
A forma como Konrád – o amigo –, Krizstina – a esposa –, a mãe do general – e o protagonista – encontravam na música o refúgio ideal para as suas paixões, para a sua rebeldia, é o signo da fatalidade que marca o ritmo do romance. Porque a música era o lugar secreto que lhes permitia serem aquilo que lhes era interdito pela sociedade.
Uma quarta personagem principal é Nini, a ama do general. Esta é o oposto dos dois outros grandes rebeldes – Konrád e Krizstina. Nini é alguém que se enquadra perfeitamente naquele mundo em vias de extinção que é o Império Austro-Húngaro. É a alma gémea do general no que respeita à forma de exprimir os afectos. E mais: Nini é a alma do palácio, a guardiã do lar, aquela que mantém aceso o fogo de Vesta, sem o qual as salas do palácio ficam como que transformadas em túmulos.
A evolução da trama remete-nos para Freud e para a teoria do recalcamento; a caracterização das personagens para o modelo dos arquétipos de Jung; o tema da rebelião e da traição colocam-nos perante uma intertextualidade com o Génesis da Bíblia na pessoa de Konrad / Lúcifer e Kizstina / Eva As velas ardem até ao fim para além de ser um verdadeiro tratado de psicanálise é, também, uma importante obra de reflexão sociológica. Ao tratar a situação na Europa da primeira metade do século XX, o papel do colonialismo na transformação das mentalidades – através das trocas culturais – e, principalmente, a dissertação antropológica acerca das causas residuais que estão na génese da situação no Médio Oriente, transformam-no numa obra de uma actualidade, pela acuidade das suas análises e poder visionário.Um livro fora de série de um autor que nos chega do leste europeu e cuja obra só foi devidamente reconhecida após a queda do regime comunista. Ironicamente, Sándor Márai suicidou-se poucos meses antes da queda do Muro de Berlim.”


Adaptação do texto de Cláudia de Sousa Dias
in http:\\ hasempreumlivro.blogspot.com

Um outro aspecto central da narrativa, menos tocante mas não menos interessante, encontra-se no paralelo que é traçado entre a decadência do Império Austro-Húngaro e o percurso trágico das três personagens, que representam metonimicamente aquela nação. A pátria prestes a desabar assiste à perda de influência da nobreza e do exército, ao carácter obsoleto dos valores da nobreza (hierarquia, honra, patriotismo, etc.), num mundo em mudança (início do séc. XX), à emancipação da mulher – questões subterrâneas mas marcantes na relação das três personagens. Sendo homens do seu tempo, Henrik e Konrad não conseguem sobreviver ao colapso desse mundo. Por isso, quando se reencontram, em 1941, são já dois anacronismos, dois simulacros (para usar o termo de Baudrillard) num mundo que está numa nova transição – note-se que a Grande Guerra que então se trava nunca irrompe na conversa dos dois antigos soldados. Para além de estarem interiormente mortos também o estão ontologicamente, porque a realidade em que vivem deixou há muito de ser a sua.

In: http://pt.shvoong.com/books/

Ver Também:
Biografia de Sándor Márai

Da Arábia ao Al Andaluz
Renato Edmundo Proença dos Santos
Associação de Defesa do Ambiente e do Património Cultural de São Brás de Alportel, 2008

O livro nasce da reunião de um ciclo de “Conversas sobre os Árabes” que decorreu no Museu Etnográfico do Trajo Algarvio, em São Brás de Alportel, ao longo de 2006.
A história dos Árabes e da Civilização Islâmica são narradas por Boabdil, último rei de Granada, em 1492.
Na primeira parte, o autor faz uma digressão no tempo para explicar o surgimento dos reinos árabes e da formação da civilização islâmica; contextualiza a criação do território Al Andaluz sob domínio árabe e a constituição do Califado de Córdova e do Gharb.
Na segunda parte são detalhados alguns dos protagonistas e dos factos apresentados, como por exemplo, os templários, os moçárabes e as cruzadas.


“Lentamente, Boabdil, pois era assim que os cristãos lhe chamavam, apoiou as mãos no parapeito ameado da muralha, encostando-se nostalgicamente ao alto merlão que ficava sobre o seu lado direito. Acabara de ajustar os últimos pormenores da rendição com os seus conselheiros. A História o julgaria! Talvez lhe viessem a chamar “Boabdil, o cobarde” porque, sem dar batalha, iria entregar a sua querida Granada…”

Diário do Envelhecimento
Maria Olímpia Mendes
Faro: Tipografia União, 2009

Maria Olímpia Mendes começou a publicar aos setenta anos.
O seu primeiro título – “Entre o azul do mar e o verde dos arrozais” -, já lido e discutido no Clube de Leitura, traz a público um manancial de vivências que foram sendo maturadas ao longo dos anos.
Ambos os títulos são a reunião de breves crónicas ou apontamentos que tecem, a partir de uma ideia ou uma imagem, sentimentos e reflexões. Numa prosa poética e num estilo de comunicação directo e simples, Maria Olímpia envolve o leitor que se deixa conduzir para lá da leveza do texto à profunda, imensa e caótica dimensão que é a vida escondida nas palavras.
Natural de Aljezur, após o casamento inicia a sua diáspora acompanhando o marido por Portugal e em Moçambique. As terras e as gentes foram vivamente guardadas na sua memória e esperaram que terminassem os anos de quotidiano apressado para agora jorrarem, reflectidas, em textos que buscam o encontro entre o vivido e o sentido.


“Em certos dias, vou ajeitando a velhice ao corpo como quem coloca um xaile sobre os ombros. Enrolo-me nela e tiro partido do seu aconchego ou sofro com a sua rudeza que me traz mal-estar físico e moral.
Depois, tal como faria ao xaile quando não é necessário, dobro-a e guardo-a numa gaveta até sentir de novo que o verão vai longe e o bom senso me grita que as ilusões são como os remédios – devem ser tomadas com conta e medida…”

De família brasileira e portuguesa, nascido em 1960, na cidade de Huambo, Angola, José Eduardo Agualusa adquiriu as suas referências culturais um amplo senso de identidade, o qual o leva a definir-se como afro-luso-brasileiro. Dividindo-se entre os três continentes, o angolano, que é jornalista e estudou Agronomia e Silvicultura em Lisboa, imprime na sua obra o destaque à relação cultural entre os países de língua portuguesa, através da fusão das influências de cada um. Desde o seu primeiro trabalho como escritor, ainda no final dos anos 80, o interesse em sublinhar essa integração levou Agualusa, considerado um dos mais importantes escritores africanos dos últimos tempos, a escrever obras como: Nação Crioula (1998); Um Estranho em Goa (2000); Manual Prático de Levitação (2005); O ano em que Zumbi tomou o Rio (2002) e O Vendedor de Passados (2004)..

Ver mais >> Colabora com o jornal Público desde a sua fundação; na revista de domingo desse diário (Pública) assina uma crónica quinzenal. Realiza o programa A Hora das Cigarras, sobre música e poesia africana, difundido aos domingos, na Antena 1 e RDP África. Assina uma crónica mensal na revista Pais e Filhos.

É membro da União dos Escritores Angolanos.

Em 2006 lançou, juntamente com Conceição Lopes e Fatima Otero, a editora brasileira Língua Geral, dedicada exclusivamente a autores de língua portuguesa.

Beneficiou de três bolsas de criação literária: a primeira, concedida pelo Centro Nacional de Cultura em 1997 para escrever Nação Crioula; a segunda em 2000, concedida pela Fundação Oriente, que lhe permitiu visitar Goa durante 3 meses e na sequência da qual escreveu "Um estranho em Goa"; a terceira em 2001, concedida pela instituição alemã “Deutscher Akademischer Austausch Dienst”. Graças a esta bolsa viveu um ano em Berlim, e foi lá que escreveu "O ano em que Zumbi tomou o Rio".

O seu primeiro romance - A Conjura - recebeu o Prémio de Revelação Sonangol.

Com Nação Crioula foi distinguido com o Grande Prémio de Literatura da RTP.

Fronteiras Perdidas obteve o Grande Prémio de Conto da Associação Portuguesa de Escritores.

Estranhões e Bizarrocos obteve o Grande Prémio Gulbenkian de Literatura para crianças, em 2002.

Agualusa recebeu, em 2007, o prestigioso Prémio Independente de Ficção Estrangeira, promovido pelo diário britânico "The Independent" em colaboração com o Conselho das Artes do Reino Unido, pelo livro O Vendedor de Passados, tornando-se o primeiro escritor africano a receber tal distinção

Obras publicadas

  • A Conjura (romance, 1989)
  • D. Nicolau Água-Rosada e outras estórias verdadeiras e inverosímeis (contos, 1990)
  • O coração dos bosques (poesia, 1991)
  • A feira dos assombrados (novela, 1992)
  • Estação das Chuvas (romance, 1996)
  • Nação Crioula (romance, 1997, no qual aparece o personagem de Fradique Mendes)
  • Fronteiras Perdidas, contos para viajar (contos, 1999)
  • Um estranho em Goa (romance, 2000)
  • Estranhões e Bizarrocos (literatura infantil, 2000)
  • A Substância do Amor e Outras Crónicas (crônicas, 2000)
  • O Homem que Parecia um Domingo (contos, 2002)
  • Catálogo de Sombras (contos, 2003)
  • O Ano em que Zumbi Tomou o Rio (romance, 2003)
  • O Vendedor de Passados (romance, 2004)
  • Manual Prático de Levitação (contos, 2005)
  • As Mulheres de Meu Pai (romance, 2007)
  • Na rota das especiarias (guia, 2008)
  • Barroco tropical (romance, 2009)

CLUBE DE LEITURA
Leituras de 2009/10

Ver Também:

"As velas ardem até ao fim" / Sándor Márai

"Da Arábia ao Al Andaluz" / Renato Edmundo Proença dos Santos

"Diário do Envelhecimento" / Maria Olímpia Mendes

Comentários à crítica do livro "Rimas" de Catarina Cardoso. Crítica do Rodrigo.

Comentários à crítica do livro "Não faças isso, Rita Salpico!" de vários autores. Crítica do Rodrigo.

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